terça-feira, janeiro 31, 2006

Desabafo

O que me trouxe aqui foi a abafada necessidade de desabafar. Contar dos meus medos mais violentos. É tudo muito perfeito, em uma tela bem clara e disposta em minha frente.
É perfeitamente trágico.
Por que será que a proximidade arranca esta beleza? Por que será que a plenitude só é possível na solidão, na penumbra de uma vontade?
Reli e revivi minhas palavras profanas esta noite. Fui longe demais... Joguei a culpa em inocentes e absolvi os culpados do meu coração. Fiz-me em uma contradição perfeita. Um paradoxo quase encantador e atraente. Disfarcei-me, empolguei-me e iludi-me com a minha própria felicidade.
Não sei, definitivamente, viver para “viver”. Não nasci para isso.
Quanto mais eu olhava para o teto escuro mais eu via tudo ao meu redor perdendo o nexo, simplesmente porque espero demais, quero demais e é insuportavelmente desgastante sentir assim. Porque, simplesmente, nunca chega... Você nunca chegou!
Eu não quero e não vou te dizer tudo que quase me roubaste com as suas belas e traiçoeiras palavras doces. Apenas não quero acreditar mais. Não desejo ter tal desejo e não pretendo subir mais em nenhuma das minhas histórias favoritas para contar quem eu sou.
Quer saber? Cansei de novo! É como um enigma. Quanto mais eu tento penetrar mais me confundo, me engano, me maltrato.
Ficarei presa aqui.
“Pise com cuidado neste chão, pois estás pisando em meus sonhos”.
Vou semear a magnânima aventura de ser assim.
É insuportável querer falar e não conseguir, como naquela lei universal, simplesmente, não tem ninguém para ouvir. E pode acreditar que nunca o terá! Assim como nunca o terei meu “sonho”.
Já que não há jeito algum, já que não há mesmo nenhuma primavera, deixe-me ir para onde eu quiser e não toque-me nunca mais. Não encoste a sua delicada teia em mim. Não julgue-me e nem procure-me. Vá para aquele lugar que tanto idealizamos e esqueça de tudo que me deste.
Sempre será melhor assim.
A certeza da dúvida será o lugar mais bonito que ainda poderei ir encontrar você.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Expectativa ou perspectiva?

Expectativa ou perspectiva? Dizem que uma expectativa é quando você concentra todos os seus esforços em prol de uma idéia ou meta. Já a perspectiva é quando você tem, sem "compromisso", um desejo de onde quer ir ou chegar.
O que importa o nome, se uma vez que eu não te veja sofro da mesma forma? Existe uma idéia fixa em mim agora. A única coisa que me resta destas despedidas é a certeza da sua eterna dúvida. Sua prisão. Não minha! Meu maior trunfo, e ainda assim, muito longe de representar qualquer glória.
"The way that I can feel (...)” .
Durante a tempestade de emoções que se sucederam, como sempre, descobri alguns truques bem interessantes. Às vezes junto-me a uma dessas ideologias cheias de verdades indiscutíveis e engano qualquer um, como a uma criança.
Quem quer se iludir agora?
Se eu sempre soube das expectativas, ou que sejam perspectivas, quem vai levar o meu corpo cansado para cama toda noite e me fazer esquecer? A única sobrevivente deste "naufrágio" não mora mais aqui!
A verdade é tudo aquilo que eu consigo assimilar na minha razão, que por sinal é muito relativa. A sua verdade é a maior mentira que me contaste!
Que bonito, todos aqui se rindo de um pedaço de papel que não sobrevive ao fogo de uma tarde comum.
Verdade. É um bom tema para uma tese de Mestrado. Afinal, o seu aspecto pouco preciso e muito exigente cria as maiores guerras e devasta sonhos inteiros em um ser humano.
Então, qual é a sua verdade agora, babie?

quinta-feira, janeiro 26, 2006

My Way

Foi em uma tarde perdida no tempo que vi o "caminho da vida" pela primeira vez.
Uma das experiências mais fortes e lindas da minha vida!
Situei-me entre os dois lados de uma mesma realidade e vi a indecifrável glória de existir transbordando em minha frente... Em uma linda tarde de verão e de sons.
Mesmo nos dias mais difíceis e nas noites mais vazias; nunca mais me perdi, nunca mais vacilei, e també, nunca mais te achei.
E, ao fechar os olhos, eu posso sentir o vento batendo em mim...
Fazendo-me ir(...) Para sempre... Até depois do fim.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Continuando...

Um dia escuro, bem escuro por sinal. Não encontrei mais nada seu aqui.
Escutava um profundo silêncio que invadia toda a superfície. Cada Vento que batia nos bambuzais alegres da "Califórnia” levava de volta pra casa alguém muito querido, muito especial.
Enquanto a noite eu corria ligeiro, debaixo das árvores para ninguém me pegar, meu futuro e passado eram rapidamente separados com a velocidade de um vulcão! Parecia brincadeira de criança... E, era até divertido, as vezes!
Quando achei a solução de todos os meus problemas, mudaram todas as vontades. Pirraça da vida que testa-me freneticamente.
Preferia morrer a ter que escolher! Preferia não ter, não ser e nem saber (...) Acontece sempre... Eu paro e olho bem além, vendo mais do que queria, deveria ou poderia... Agora, sinto bem a profundidade das estações. Olho como a filosofia de outrora era tão ingênua, tão "crua", tão simplista.
Coloquei-me, de novo, a "andar” por aí, e tudo que vi foram as mesmas perguntas de antes. Nada mudou e nem vai mudar “aqui fora”. Bem verdade que quero escorregar, escapulir e reencontrar o meu brinquedinho favorito.
Não sei escrever claramente, não aprendi a ir direto ao ponto. Então vou namorando minhas longas e ininteligíveis frases e deixar-me assim cair em minhas próprias armadilhas, queridas feridinhas de um momento bom, até o fim dos dias.
O corredor inexorável do tempo não erra, e eu não tenho mais nada a perder.
Deve haver alguma explicação para todo investimento que acaba no vazio do não realizado. Alguém ensinou-me uma vez para não lutar contra a vida quando ela NOS escolhe. Quero acreditar nisso e anistiar a minha culpa por ter ido embora. Assim como “No Mundo de Sofia”, a grande brincadeira da vida é ser um “lápis” que decide facilmente todo e qualquer acontecimento. Sendo assim, sigo fiel ao meu único e maior sentido: O ritual de ser.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Apenas Eu.

Assim como a duplicação de todas as almas e sentimentos. Assim como toda certeza de que nada é inteiro o suficiente que se baste. Vivo e viverei na constante agonia de perder alguma coisa que não pude trazer na minha mala. A viagem é longa, sempre é na verdade. E nós nunca sabemos quem está deixando quem, agora.
Todas as partidas em todas as estações sempre deixaram-me tristemente machucada. Um pedaço meu se foi naquele vagão (...) Uma ponta da minha própria fé e esperança. Uma crença e uma certeza que desistiu de SER com o passar dos tempos. Sempre pego-me esperando, de novo, a sua aparição. Idealizo e reinvento todos os nossos dias. Cada vez é mais completo e mais distante.
Ainda posso me voltar às literaturas antigas e descobrir alguns segredos escondidos no tempo.
(...) Cada noite era diferente em sua infinita semelhança de todas as noites. Cada céu estrelado tinha o "seu" recado e mesmo assim, todas as estrelas eram iguais. Tudo é tão parecido! Tudo é tão familiar e assustadoramente meu! Enquanto fechava-me dentro da minha mais completa e indivisível solidão, via-me tranquilamente segura. Cada hora de dar um não e tomar, às vezes, a pior decisão, tive que ir aos vales escuros da minha alma, e sem nenhuma certeza e pouca coragem, acenei mandando parar. Mandando acabar. Matando o que eu mesmo semeei.
Quando deito-me e fecho os olhos em "lugares" frios e sem sentimentos, volto a um estado de letargia que não é nem bom nem mau. Até porque toda prece acaba, sempre acaba (...) Até quando nasce para ser eterna. Não é fácil assumir para mim mesma este "papel" e encarar esta verdade. Seria melhor acreditar no meu lado mais singelo e dormir em paz. Mas depois de enxergar o que reflete no espelho, sem subterfúgios, posso deitar e dizer que, apesar de não ser o meu ideal, esta aí, sou EU. E isso é tudo. Só por hoje, e não há nada mais para deixar pra trás.
Apenas, esta sou eu.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Caminho...

Engraçada a forma como a vida nos coloca em "cach”? Sempre lembro-me de um aviso: “Veja bem o que a vida quer te mostrar com esta situação". Simplesmente não consigo ver uma saída feliz. Alguém pode se ferir muito e talvez, todos. Joguei-me, literalmente, nos "teus" braços. De todas as formas e com todas as possíveis cores do mundo. Vi no fundo do “oceano do olhar" tanta tristeza(...) Penso ininterruptamente em tudo isso e fui obrigada a machucar mais ainda o coração. O meu fica em pedaços, espalhado pelo chão da casa, de todos os cantos da sala e dos quartos. Onde conheço cada cantinho familiar. Queria tanto poder entrar aí de novo! Queria tanto voltar pra casa! Queria tanto saber qual é o caminho (...). Que bobagem a minha, afinal, quem saberia qual é o caminho?
Sinto na noite os meus pulsos frios, minha cabeça gira devagar, e, às vezes, me desprendo de tudo que causa dor e vou além. Cair no vazio é mais difícil do que eu supunha. Mas ainda é o melhor caminho quando não se tem mais o "seu lugar".
Sairei por ai sem olhar ao redor, sem pedir licença e sem esperar o que nunca voltou. Apenas sairei por ai com a minha cesta de estrelas e a minha única arma: A fé nas razões sem razão da vida.
Não senti mais o coração bater forte e muito menos emoção alguma que me fizesse sorrir, vibrar. A verdade é que o vento frio da morte não tem coração, logo, não traz insulto algum em seu caminho.

domingo, dezembro 18, 2005

Le Piano

Suas mãos. Meus delicados sentidos envolvidos em suas mãos. Como vou dizer, direitinho, o que é ser tocada por você?
Elas fluem, levemente, pelos teclados e pelo meu corpo, preenchendo o ambiente com sons incríveis. Saem daquelas mãos, antigas e sábias; canções e histórias.
Escuto passos. São seus passos pela sala, pelo quarto, por toda parte da casa. Fecho os olhos e volto a escutar os seus dedos acariciando cada nota como se fosse algo delicado, frágil e facilmente quebrável, ao ser manuseado. Nesta hora, sinto suas mãos. O vermelho do sangue se mistura na taça e o calor de meu corpo contrasta com a chuva que cai do lado de fora da vidraça. olho para o lado e vejo, de relance, meu vestido branco, rodado e fragilizado, se desmanchando no contato com o seu corpo impetuoso.
Feliz, continuo ali. Me deleitando com cada nota musical que eu crio por acaso. Um instrumento perfeito, algo que traduz o que sinto sem palavras, sem grandes gestos. Apenas com sons.
"A perfect moment in time".
Não pare! Apenas toque. Sempre toque, mesmo depois do fim. Você nasceu pra isso. Continue me deixando extasiada com seu mistério. Excitada com seus dedos (...) De onde veio? Para onde vai? O que leva nesta bagagem tão antiga? Não fale-me! Não quebre o encanto! Não conte-me seus dias comuns. Me deixe aqui escutando "Le Piano". Me deixe aqui sentada, enquanto "Po Elise" invade a sala.
Continuo sentindo você nos cômodos da casa... A sua busca, às vezes, é tão inexata. Ainda assim, não me deixarei abater.
Vejo vocês todos; na minha frente, abaixo do palco, abaixo da gloria, diante de mim... Esta tudo tão claro agora! É só deixar a musica tocar... É só escutar. E vocês estão lá... Tão previsíveis, tão sem importância.
Volto para o lugar de onde tirei este devaneio, e finalizo bebendo a última gota de vinho que me espera na taça. Porque, depois de três taças, nada mais importa... Os corpos falam por si.

"Te amo"

Sem te tocar, passei as mãos nos teus cabelos,
e pensei: "te amo".
Prendi o desejo com força, engoli a fome e
imaginei a minha mão
descendo até seus ombros, e novamente pensei; vigorosamente, suavemente: "te amo".
Olhei teu rosto, que não adivinhava nada, e gritei desesperadamente: "te amo".
Mas, você nunca ouviu. Você nunca soube (...)
Quantas Fibras da minha vida se consumiram
a cada vez que a minha
coragem se calou diante do sentimento?
A que preço?
Por qual valor?

sábado, dezembro 17, 2005

Mais uma vez ....

Hoje é um daqueles dias onde eu precisava desesperadamente de alguém para falar. Mas como em toda "lei" universal desta ordem, não há ninguém para escutar. Vontade de contar coisas que estão engasgadas em minha alma. Vontade de compartilhar, de transpirar toda essa emoção... A cada dia que passa aprendo que o que vai no meu íntimo é tão indivisível, tão só meu, que é impossível essa espera, quase cega, de ser "vista".
Conversei muito sobre a minha "historinha", voltei correndo para casa e desabei no chão! No escuro do meu quarto vi fantasmas tão reais, tão presentes. Tá doendo tanto agora! Eu choro por mim. Sempre foi assim. Mas a "sua tormenta" me enlouquece!
Nessas horas tenho a sensação de que voltei no tempo e retrocedi mil vezes à mesma expectativa quase feliz que vivi em uma noite de verão, em um dia comum. Como vou esquecer? É impossível lutar contra a força da natureza. É impossível lutar contra mim mesma! Ainda como se não bastasse, aparecem-me pessoas, do nada, a falar coisinhas que, sinceramente, não tenho nada a ver. Não gastem meu tempo com isso. Não "gastem-me"!
Ainda bem que tenho este lugar. Posso "te" contar, posso contar com "você" em meus devaneios tolos de menina, posso contar com meus diários e minhas fantasias. Não tente me compreender, não me leve a mal, é incompreensível.
É tanto amor, ternura, paixão... É uma força que vem de um tempo irreal e ao mesmo tempo tão presente. É a força de uma morte ou de um nascimento incoerente. A força de uma mulher que ainda tenta acreditar... Mais uma vez, sem a menos explicação.
"- Isso vai doer menina (...)
- Mas, eu adoro a dor!"

Candle

Olhando para esta vela e vendo a sua força invadir a escuridão, me reporto a tantas noites atrás... Onde ficava hipnotizada, apenas observando uma chama invadir a noite e concretizar a sua missão.
Danny Pelfrey toca uma melodia suave, triste... Quase sofrida, mas linda! Eu fico apenas deslumbrada com a força desta pequena chama que invade, sem medo, impetuosamente, qualquer escuridão.
Volto para dentro de mim e constato a força e a misteriosa couraça, onde se esconde a minha alma. É uma solidão tão inteira, tão completa! Não há ninguém, agora, neste lugar, apenas a vela seguindo o seu caminho e o encontro com os meus mais profundos sentimentos. Indivisíveis, intransponíveis, inigualáveis.
A beleza consiste nesta magia que há na plenitude que constitui um ser. E a tal felicidade, às vezes, é quando dois seres se encontram, se identificam e conseguem vivenciar grandes e simples momentos da vida ao mesmo tempo. Conseguem enxergar o mesmo sol e sentir a mesma força de um vendaval. Nada pode ser mais encantador que sentir o mesmo sentimento de um outro alguém. Olhar nos olhos e vê um reflexo familiar, um pedacinho da gente(...)
Nunca me senti tão em paz e tão "solitária" ao mesmo tempo. Essa quietude de pensamentos, este silêncio interior... Esta vela que queima através de palavras e profecias ditas com tanto fervor por mim! Nunca terei medo desta "solidão". Nunca me senti tão livre por não ter tal medo.
Será lindo, brilhante e profundamente comovente poder dividir isso com alguém pelo resto da minha vida, dos meus dias, mas, jamais, deixarei de ser feliz pela sua ausência, seja lá quem for você! Porque descobri a minha felicidade, a minha paz. Porque tenho as "velas" e o meu "lar". Nada me traz tanta segurança, tanta alegria que esta agradável sensação aconchegante de me sentir assim. Nada pode ser mais independente e voraz!
As musicas vão tocando. A vela insiste em queimar firme e iluminar o futuro. Eu apenas descrevo, um dos cenários mais belos, que já pude perceber diante de mim. Olhei bem atenta para meu coração e deixei minha alma escrever para perpetuar esta noite, que, apesar de simples, nunca vi mais bela.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Sinto


Eu sinto teu corpo de homem, viril, tocando em meu corpo como
se fosse algo seu, exclusivo e frágil.
Eu lembro de momentos em que os teus braços me dominavam como os de um boiadeiro; domando um animal, selvagem e dócil. Eu sinto você e preciso senti-lo de novo, agora.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Acreditar...

Uma mensagem totalmente inesperada. Tudo volta assim, num passe de mágica. Eu tenho que falar. Tenho que contar o meu segredinho, não é fácil viver sem a minha ilusão favorita. ODEIO a superficialidade que aparece em mim na tentativa, infeliz, de chamar atenção. ODEIO fazer-me passar por tão boba, quando no fundo, estou caindo no chão. Você me fala de amor, fala de saudade, fala de uma história que EU criei. Onde a ironia da vida colocou-me? Sentada na frente da mentira mais tentadora que já inventei!
Por que acredito tanto assim? É aí que reside a minha maior "fraqueza”... Acreditar!
Andei introspectiva esses dias, distante mesmo, impenetrável. Sonhei com aquele altar e me pus a girar com penas e plumas. Sem querer abrir os olhos, senti o que me incomoda tanto nisso tudo: a banalidade dos meus dias.
Esta tudo, pra variar, tão confuso agora. Foi tão mais fácil usar a raiva para libertar-me. Mas a sua dor comove-me, mobiliza-me, aflige-me. E por mais raiva que eu tenha eu não suporto ver o seu sofrimento. Ele agride-me, desafia-me, paralisa-me.
Eu nunca vou saber o motivo real de tudo isso, é o véu que não pode ser tirado. Eu não posso continuar... Aprendi que era pecado, errado, cruel! E continuo farta de tudo que falo. Só que, agora, foi tudo que me restou.
Eu não faço a menor idéia do que virá, mas adoro este "show" particular. Não vou negar, prendo-me com todas as forças ao que foi meu, ao "meu lugar". As vezes, eu sonho, e não vejo a hora de tomar o que sempre foi meu por direito. Sempre será , não adianta falar bonito em desapego, é meu e acabou! Meu mundinho mágico, meu espaço, meu cantinho.
O que você fez com as promessas? Por que elas vivem em mim? Elas moram aqui e nunca as deixarei partir, meu sonho.... Nunca seria eu mesma sem meu "pedacinho de céu”.
Assim como Lightfoot na infância deixava-me perplexa sem, ao menos, entender uma palavra que era cantada, eu compreendia tudo que era falado (...) Não consigo mais, não dá mais para transpor a barreira das palavras para expor o que sinto agora, é indescritível! Vou dormir, vou apenas deixar tudo passar por mim, quem sabe, assim, tudo não se resolva e deixe-me em paz?
Cansei de ser tema sem glória.
Cansei de todo mundo, inclusive de mim!
Por hoje basta!

terça-feira, dezembro 13, 2005

I Believe

Vamos lá, assim como toda transformação, há sempre uma estranha sensação de perda, vazio e incompreensão nisso tudo. Quantas vezes mais eu vou ter que abrir e fechar esta porta? Parece que ninguém mais me escuta, nem eu! Ainda quero acreditar em tudo que ouvi, em tudo que vivi, em uma estrela que te dei. É tão estranho... Olhar tudo "desta forma". É estranho demais! Odeio este incomodo irreal do novo.
Ando tão cansada do que escrevo, do que se repete, desta ironia sem fim! E, você me trata tão bem, mantém meu coração ferido(...)
Quando fui na pequena igrejinha, havia dezenas de velas queimando e seguindo as suas profecias. Tudo segue o seu destino, tudo tem a sua razão. Não acho justo, comigo, dedicar mais algum instante da minha vida e pensamentos a isto. Ainda brigo e luto, como uma tola, para não perder o que nunca foi meu. O que não existe mais. Sempre adorei perpetuar coisas... Adoro a idéia de eternidade que há em algumas relações, histórias e memórias. Estou me sentindo tão vazia desta coisa toda que não encontro nada que possa expressar, ou transformar por "aqui". Nada de novo, nada que nunca tenha sido dito, nada que me comova. Isso, apenas é triste. Hoje, é só uma história triste que assisto. E, é sempre triste o fim... Será que me contagiaste? Não me diga que eu ainda permito isso! Não, certamente estou me permitindo ser, às vezes, um ser humano qualquer, com todos os conflitos que este tem direito, com todas as lacunas e esperanças que me são devidas.
Apenas alguém que insiste em acreditar... "And I believe in a yesterday"

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Cigana das Rosas

Como se dá este milagre? Essa coisa de um ser um só? Todos falavam na mesa animadamente e me veio aos ouvidos histórias e estórias de erros e enganos mútuos. Parece que não sabemos mesmo viver... Em algum lugar da noite me refugiei de todo mundo, me retirei dali antes de me envolver. Me defendi, me protegi!
Uma vez pensei em fazer o caminho de Compostela, coisa de garota que se encanta com verdades místicas e transcendentais. Depois de um tempo, parei de pensar em todas aquelas coisas, que eu animadamente compartilhava com a minha melhor amiga da adolescência. Eram noites e noites de mil planos para o futuro promissor. Certezas de sonhos e metas a serem alcançadas. Para onde foi aquela garota? Aonde foi parar todas as minhas paixões?
Peguei alguns álbuns antigos e "viajei" no tempo de uma menina cheia de garra, tão pequenininha e tão forte, correndo em tantas quadras. O mundo parecia ser todo meu, parecia ser tão alcançável, tão "pequeno", tão próximo mesmo. E agora? Ainda o vejo assim? Derrubaram sobre mim bilhões de responsabilidades e obrigações. Virei um monte de personagens para fazer tudo ter sentido e deixei o meu sentido se esvair!
Não lamento nada, não estou aqui questionando as minhas escolhas, apenas, constatando que crescer faz com que saibamos cada vez menos. Ser "gente" é quase uma arma contra a gente mesmo!
É preciso amor para poder transformar e não deixar perder a essência das coisas, porque eu nunca esquecerei da tarde especial. Tomando chá víamos a noite cair... Constatando a futura sabedoria de uma senhora muito esperta que teria muitas histórias para contar aos seus.
Não entendo como levei tanto tempo anestesiada. Talvez, eu tenha estado em outro lugar, para "aprender" a tal linguagem que os mortais precisam para sobreviver. Que bom que não preciso de nenhuma delas, embora nada me baste o suficiente. A mesma sede de vitória que me iluminou, durante longos e maravilhosos onze anos da minha vida, me arranca de qualquer mera conformidade. Está em mim, na minha natureza, querer, mesmo que apavorada pela "perda" de algumas verdades, chegar lá!
Tudo vai se completando simplesmente e espero encontrar sempre meu "eco" em alguma esquina, em alguma noite vazia, em uma escada qualquer... Nunca estarei sozinha(...)
Agora que já sei o caminho de volta, não deixarei que uma fase viva mais do que o necessário. Apenas isso! Ainda busco tudo aquilo que sempre busquei, talvez essa seja a melhor parte de viver!
Ai de mim se me iludisse achando ter encontrado algo. Ai de mim se "dormisse" achando ter acordado para sair por ai. Pobre de ti que não soube me ouvir.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Butterfly

Estava tudo escuro, como sempre. Lembrei que deveria olhar de novo para ver se algo ficara para trás. Não havia mais nada.
Fui subindo todos os degraus diante de toda imensa escuridão da noite. Quem poderia me escutar? Passei por algumas flores do campo e vi bem adiante rosas noturnas iluminando a passagem. Atravessei pela grande porta como uma brisa que se arrasta, sem tocar em nada. Escutava, ao longe, a partitura mais suave e nostálgica dos últimos tempos. Meus dedos percorriam, assim, sua imensa solidão, e dançavam em seus teclados lisos e antigos... Velhos como a sabedoria de um eremita.
Já estava anoitecendo e de onde eu olhava, cada folha prateada, contra a luz me encantava. Como se me dissesse baixinho, que eu estava indo na direção certa(...) Mesmo sem saber qual era a direção.
De repente me perco em palavras, me acho sozinha e te dedico, de coração, todo o meu singelo castelo de areia. Uma voz ainda me assombra - "Cuidado com a água do mar! Suas ondas, sedutoras, podem te salgar mais do que o necessário, o esperado, o ideal".
Só que, eu não quero mais ter cuidado! Quem disse que ser precavido é garantia de alguma coisa? Eu quero ser intensa, aliás, eu sempre fui, bem sabes disso meu bem. E nesta hora eu te dediquei a minha canção, descobri o que eu andava buscando... Fui eu mesma que encontrei ai... No fundo dos teus olhos. Me achei em ti. Um
pedacinho mágico do céu... Um segredinho de criança que quase não tem importância.
Continuava escutando a sinfonia suave de uma noite... Parecia infinita. Mas, foi eterna em si, porque não chegou a um fim, percorreu toda escala das minhas emoções e continuou tocando fundo. Eu olhava e sentia a quentura no sangue, as horas se tornaram irrelevantes, tudo ficou atemporal. Sai, de fato, daquela velha fotografia e me pus a caminhar pelo salão, andei entre os coqueiros e mergulhei no mar... Mesmo ciente dos riscos que o sal poderia me causar... Penso, às vezes, no ouro que roubei em vão, ao acreditar no amor que nunca existiu.
Ainda olho para trás, só para ter certeza de que não quero mais! Ainda lembro de pedacinhos de estrelas cadentes, só para ter coragem de galopar em mim mesma lá na frente. Sem medo do que não sei, sabendo que tudo, ainda que meio por acaso, depende agora só de mim.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Nuvens

Lá fora o vento frio envolve a madrugada em plumas e desejos quase proibidos. Parece um sonho.
Sempre que despertava "do pesadelo" me via diante de um novo "sonho"! E isso é a mágica que ainda não decifrei. Não quero que nesta aventura lunática eu me veja prestes a cair. Porém, mesmo contra todos os avisos, seguirei firmemente os sinais do meu coração.
Quando eu era criança, não pensava em nada. Apenas olhava as nuvens no céu e observava coisas e lugares a se formarem e a se desmancharem na minha frente. Ficava encantada vendo cada ursinho, anjinho ou cavalinho se dissolvendo no nada. É mais ou menos assim que a vida se mostra para mim; construímos "lugares" e sonhos, e os vemos, muitas vezes, se desmoronando diante de nossos olhos... E, nada podemos fazer, a não ser, aprender a observar a beleza de mais uma figurinha a se juntar. Transformando nuvens em mar!
Quando eu era mais novinha, depois da minha primeira e grande desilusão amorosa, descobri o sentido do amor. Aprendi a olhar ao meu redor e a expirar tudo que transbordava em mim; pintei flores lindas, subi escadas encantadas e delirei ouvindo pianos e bandolins. Finalmente, no caos, me libertei. E desde então, cada quase, cada ilusão, tem me mostrado a firmeza de uma mulher. É lindo ser criança... Lindo o sorriso e a ternura da minha menina... Mas é fascinante ser mulher!
Hoje, sei que as imagens nas nuvens eram meras ilusões. Estas, foram apenas projeções inconscientes e delirantes da minha cabecinha. Logo, qualquer vento mais forte poderia desmanchar, como assim o fazia! Só que a nuvem é real! Assim como os sentimentos. E todas as possibilidades estão na realidade e sinceridade das coisas. Por isso sei que agora, posso construir a imagem que eu quiser no meu "céu". Nada poderá me impedir enquanto o sentimento for verdadeiro.
Agora desvendei mais um dos seus mistérios, vida. E sei que isso só me fará viver cada nova "passagem” de forma mais inteira e completa. A dor amadurece e liberta, mas a escolha será sempre minha, de alimentar a sua ferida ou de me fortalecer com suas lições.

segunda-feira, novembro 28, 2005

O poder do Adeus!

Quando minha mãe abriu a porta senti um leve calafrio pelo corpo. Finalmente, tudo se complicava mais uma vez! E nesta Gestalt, eu giro e giro sabendo cada vez menos e entendendo quase nada. Qual terá sido a verdade das coisas? O que está havendo? O que houve com você? Por que tanta tristeza no olhar, me diz? Para onde foi a tua magia, a tua alegria, a minha certeza?
Durante muito tempo fui como uma esponja, que suga tudo, e se encharca de todas as aflições e emoções da face da terra. Agora, que volto para mim, preciso ser egoísta e jogar toda esta tormenta em algum pedaço de papel em branco. Sinto-me mais leve ao fazê-lo. Não posso mais recuar, eu firmei toda uma convicção e postura naquela noite, na porta da casa, em pé, diante da minha vida... Como adivinhou o lobo certa vez.
Já que toda a certeza desta vida se concretiza, onde será que, ainda, reside tanta dúvida? Para que quero entender o que não tem explicação? E, o que, agora, não faz a menor diferença na minha vida?
Às vezes me sinto profundamente cansada... Mesmo cercada por esta paz de espírito que me põe gentilmente na cama todas as noites... Sinto-me no limite. Será que ainda "moro" ai? E se eu tivesse a resposta? E se, de repente, eu soubesse de toda a essência de certas coisas, que diferença fará, ou faria, hein?
A minha posse por tudo que nunca foi meu me transtorna, mas lá na praia olhando a noite promissora, embora fazendo pedidos descompassados, algo se abriu para mim... E, desde então, não pude mais voltar, eu fiz a minha escolha.
No carro escutava as "vozes" que sempre estiveram presentes nestas horas, e uma lágrima teimosa insistiu em cair no meu peito.
Enquanto eu corria na direção do espelho, estranhamente via-me cada vez mais distante, e quando percebi que a minha força estava sendo roubada, não hesitei em cortar todos os laços e comandar de forma firme e simples a minha vida.
Ainda me lembro de cada palavra, de cada noite de verão e de cada chuvisco feliz que me ninava à noite... Nunca perderei nada nesta vida, simplesmente porque não as possuo. Não se perde o que não se tem! Mas sempre poderei compartilhar de todas as gotas de chuva na minha janela, do canto dos pássaros nas manhãs ensolaradas e de todas as rosas que brotam em campos e jardins.
A liberdade vem quando aprendemos a dizer adeus. Nada é mais forte do que o poder do adeus! Nada poderá levar o passado para tão longe quanto o futuro.
E nada pode me deter agora que já sei de tudo.

sábado, novembro 26, 2005

Na Escada...

Fico noites inteiras vidrada em cada palavra, expectativa e desencontro. "Eles" foram tão fortes, tão íntegros, tão mágicos(....) Deve ser mais uma fábula surreal que alguém escreveu.
Procurei me manter sempre otimista e sorridente. É a minha menina, que sorri sempre... Até na agonia, da infantil tarefa, de ser adulta.
Você não tem o direito de me arrastar assim para a sua tormenta! Tenho vontade de fazê-lo sofrer mil vezes mais, cada segundo da minha vida, que parei para pensar e tentar adivinhar, a sua maldita mania de me confundir! Ando sonhando muito ultimamente, e vejo-me diante de um divisor de águas. Poderia descrever calorosamente cada segundo de prazer que senti, cada tremor, cada emoção... Cada momento que, de olhos fechados, senti seu coração entorpecer em minhas mãos... Foi algo místico, complexamente simples e indescritível. Poderia sugar com toda força o feitiço do tempo e me contaminar com a sua delirante energia. Acontece que há algo mais denso, mais longínquo, mais imenso nisso tudo. Ainda não se o que é...
Que lindo.... Estava na escada, bebendo uma garrafa de água, apenas na escada... Observava a multidão agoniada. E era rainha na escada. Sozinha e infinitamente bem acompanhada. Quem beijaria minha cruz com tanta audácia? Como descobriu que eu estava naquela história? Como conseguiu entrar em mim? Fez-me sentir meses de calor em pleno inverno. Jogou com a pedra mais cara e com minha jóia mais rara sem hesitar(...) Virou uma doce ilusão de outono.
Voltando a canção, e ao "pedaço de papel", surpreendo-me com a leitura de frases idênticas. Talvez porque a sua mensagem ainda não tenha sido "escutada", talvez porque não haja mais nada para esperar de tais palavras.
Enquanto os os meus fantasmas se divertem eu vou esperando toda tempestade passar. E, pode passar bem devagar... não tenha pressa! Não chore por mim quando eu disser adeus. Nunca diga que fará, ou que estará lá(...) Não me faça esperar mais, não ouse brincar.
Não me faça te odiar meu amor!

quinta-feira, novembro 24, 2005

Preciso...


Pela primeira vez na minha vida eu senti, profundamente, como estou precisando de você.
E se você não for, na realidade, quem eu vejo. Continuarei certa de que estou precisando de você. Como o conheci.
Espero sempre te encontrar, nem que seja com outro rosto, outro nome, em outro lugar.

Blue Sometimes...

Lendo antigos pedaços de papel e escutando "melody of you", eu sigo noite adentro. Me jogo de braços abertos em jogos de palavras na ânsia de transcrever algo novo, diferente e aconchegante. Ser poeta das coisas simples é tão desafiador! Não usar de rebuscadas frases para confundir e impressionar é tão simplista e palpável.
Escuto uma melodia, sua melodia... Eu já havia falado dela e de todas as outras coisas que escrevi e que nunca sobreviveram a mim mesma. Não sei se estas palavras farão parte do conjunto de "pedaços de vida" que ando escrevendo por aqui, e deixando escondida para nunca serem lidas. Não sei se minhas palavras, assim como eu, irão resistir às cinzas das horas.
Mas vamos lá, que hoje estou particularmente contente, não vejo nada marrom e em todas as ultimas decisões me senti como na noite de verão na "praça" Castro Alvez. Ali, contemplando o poeta sem notar a sua magnânima presença. Ali, superior a tudo isso que tentou me confundir. Ali, no centro de tudo, onde fui eu mesma, e sempre pude ser assim. Houve passagens bem bonitas. Noites no sítio deitada na grama olhando a via Láctea... Contemplando o passado no céu e sentindo o ronronar do meu gatinho no meu colo, como um anjinho, sonhando por mim.
Quantas vezes me joguei no mar para esquecer? Foram tantas! Mas tantas outras mergulhei na água para sentir. Já falei o quanto adoro sentir? Acho que é isso que faço quando leio um livro, ouço uma música ou venho aqui... Sempre na tentativa de sentir. Sentir... Quero sentir cada vez mais e mais, seja onde for, como for e com que for... Se for por mim que seja sempre assim...Que seja pra sempre... Em mim.
Como eu já disse, a eternidade só existe em "fotografias de memória”, onde algo velho perpetua sua presença, e invade o futuro e o dinamismo da vida com a audácia da sua imagem pálida e desbotada. Quem sabe sejamos assim? Uma fotografia desbotada em pleno futuro?
Boa noite e boa sorte menina.

terça-feira, novembro 22, 2005

Menina

Agora que a tempestade passa, posso olhar pela minha janela e ver o quanto me molhei, quase em vão! Como fui ingênua e crédula! Agora, tenho que sentar, estudar e trabalhar muito(...) Tenho que acordar e colocar a minha "cara" mais decidida e ir. Fui criada para ser assim. Fui criada para entender e escutar. Só que alguém esqueceu de me dizer que eu também podia "falar"! Que eu também podia errar! Deixar a vida levar, ao invés de, continuamente tentar controlar cada segundo da minha existência! Oscilo entre a fé e a necessidade de "galopar" intempestivamente sobre todos os meus dramas. É exageradamente impossível tentar me descrever. Tentar descrever você... Meu amor... Minha vida, meus sonhos e minha família querida.
Meu irmão, às vezes penso que você ainda está por aqui, em algum lugar da casa, sentado, tomando conta de mim e sempre muito desligado me deixando cair, só para me por no colo outra vez. Só para me salvar... Porque sempre foi assim, e nunca deixei de sentir o seu amor e o seu carinho. Acho que no fundo eu sempre busquei alguém que me salvasse e que nesta troca, encantada, eu salvasse também.... Assim como você meu querido, meu irmão!
As pessoas vão caminhando pela estrada do meu mundo e deixando pedacinhos de rosas em meu coração, algumas plantaram espinhos, que hoje uso para me defender, outras, há, que semearam todo tipo de amor e preces que nunca pensei poder sentir.
Amor. Palavra fácil de falar, impossível de se interpretar e indecifrável ao sentir. Agora meu passado passou de relance por aqui, vi a garotinha mais confiante do mundo entrar por aquela porta, pedindo atenção e querendo abrir seu coração. Como pôde me ferir tanto? Como pude permitir que me machucasse tanto assim? A única certeza que tenho é que a vida NUNCA erra, e que seja lá qual for o seu sentido sem razão, meu coração insiste em acreditar em toda essa invenção. A minha verdade será sempre a mais contada, a mais cantada e a mais sonhada. Nunca saberão, e tão pouco roubarão, isso de mim! A minha verdade! A minha menina!

sábado, novembro 19, 2005

No Vento...

Nesse momento penso em você. E, então quisera me transformar em vento....
E se assim fosse, chegaria agora... Como brisa fresca e tocaria de leve sua janela
E, se você me escutar e me permitir entrar, em você vou me enroscar quase sem o tocar...
Vou roçar nos seus cabelos, soprar mansinho no seu ouvido, beijar sua boca macia...
O embalar no meu caminho.
Mas, eu não sou vento... Agora sou só pensamento e estou pensando em você. E se abrir sua janela
eu estou chegando ai, agora... Neste momento, em pensamento... No vento.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Eu!

você poderia ter sido um anjo, e eu seria sua para sempre. Em cada sonho me vi envolvida em noites de intesa euforia. Fui gentiel, cruel e lasciva. Nunca pensei que poderia sentir o vulcão mais de uma vez. Nunca acreditei tanto na força da sua agonia. E agora, quase por acaso, me pego caindo de novo na mesma armadilha. Poderia passar uma noite inteira assim, nada impediria de ser assim. Quando os dias passaram a ser cobertos de gelo seco e o meu sol já não brilhava contra a janela, eu sabia que tinha que partir, mas nunca foi fácil soltar as amarras e abrir as portas para o novo, brilhante e inseguro.
Sempre pensei que tudo na minha vida seria profundamente sofrido, porque sempre cultuei esta crença de que viver era acordar banhada em lágrima. Não sei quem me fez pensar assim. Talvez a certeza de que o meu lugar não fosse aqui, nunca foi, e certamente nunca será. Mas andei driblando os paradigmas e caindo sem para-quedas em mundo de coisas. Cada uma mais forte, mais intensa e também mais difícil que a outra. Não era pra ser fácil mesmo. O fato é que agora me deu uma vontade louca de subir naquela montanha, de desafiar todas as santas e de ignorar os conselhos seguros da minha mãe.
É uma grande ironia tudo isso. Se eu for um pouquinho mais sarcástica posso me divertir horrores com esta situação. Posso fazer dessa tragédia grega um grande circo e ainda roubar a cena com o meu vestido de cetim. Um dia me disseram que nada era por acaso, que tudo estava escrito e que não haveria motivos para sofrer. Só quero saber onde entra a minha vontade!! Só por curiosidade. Quem garante que agora tudo está perdido porque parei lá atrás e deixei a caneta do destino escrever meus dias? Então, não vou mais me preocupar, na dúvida, é só coisa do destino e qualquer coisa eu volto para casa e me consolo dizendo: "Era pra ser assim. Você Nasceu para isso..."
Ainda bem que sempre fui muito desconfiada, e por garantia prefiro ficar acordada, espiando cada "entrada" para, na dúvida, só por segurança, viver mais um pouquinho.... E ser, às vezes, até feliz.

quarta-feira, novembro 16, 2005

De Olhos Fechados

Estava sentada. Pelo telefone confirmava o que eu tanto temia e sentia. Estava profundamente triste, que nem a música da despedida. E nos momentos mais mágicos e mais intensos me vi diante de antigas e infinitas duvidas. Havia aquela hora de falar, de querer falar, de ter que falar, mas não havia como falar... Porque não havia palavras. Como então poderei mostrar o meu "tesouro"? talvez ele não exista para ser mostrado. Talvez ele, sequer, exista ainda. É estranho ver todo o sentido de uma vida "partir" e tudo passar a ser nada. Nada mais existe. Até as lembranças traem, porque nunca, nunquinha mesmo, conseguimos agarrar uma sensação e preservar a sua emoção. Sinto tanto sono agora, sinto tanto em não poder "existir" mais, ali, no meu cantinho secreto.
Havia um piano. Sim, havia uma coisa estranhamente magnética em tudo aquilo e, ao mesmo tempo, assustadora. Nada é real e as vezes de olhos fechados posso enxergar melhor cada pintura, cada tela, cada traço. De olhos fechados posso escrever em meu livro e ler o que nunca foi escrito. Meu Deus! É absurdamente desleal essa cobrança! Eu não sei quando foi que permiti que as coisas ficassem assim! E, eu ainda fico cantarolando mil coisas, escutando uma infinidade de músicas e fugindo sempre para uma delas... Para algum lugar onde eu saiba quem sou eu. Onde eu possa ser eu. Apenas isso.
Sempre acreditei em todas as preces e ainda me vejo anestesiada sem poder escrever, sem saber falar, sem conseguir mostrar o maldito segredo que queima dentro de mim. Eu nunca vou te perdoar, não porque eu seja assim, tão má, mas não sei ainda adestrar meu coração, que insiste em se partir em cada maldito silêncio. Mania infantil de ter que ser! Não quero mais ser nada disso! Quer saber? Vou sair daqui a pouco com minha máscara mais bonita e delirar em meus castelos cheios de castiçais e velas queimando cada pedaço de papel que insiste em eternizar palavras que não significam mais nada. Aliás, está tão confuso tentar falar o que grita dentro de mim agora. Acho que vou deitar e rezar, para quando acordar, saber que eu estive lá. Em cada chão azul.
Eu lutei para ser forte, na verdade, eu acreditei que seria, mas, a cada dia, vejo que a minha fortaleza não reside nas minhas idéias. Infelizmente elas não tem importancia alguma para ninguém!
Eu apenas quero que a orquestra continue e que o homem que eu amo seja para sempre amado(...) Mesmo que distante.
Não queira, meu querido, fazer-me acreditar no inacreditável. Não queira, meu amigo, fazer-me lutar pela derrota certa. Não queira, meu anjo, forçar-me a viver, mais uma vez, sem ti!

quinta-feira, novembro 10, 2005

Noite na Janela

Pisei bem de mansinho. Bem devagarinho mesmo, para não fazer barulho. Abri as cortinas e a janela, e enquanto todos sonhavam eu fui ver como andavam as promessas. Para a minha surpresa continuei seguindo os passos do "livro", descendo e subindo corredores sem fim. Até que alcancei um atalho bem dentro de mim. Sempre aprendi que atalhos são armadilhas, mas, neste caso era a minha única saída, a mais bonita! Enquanto me perdia tentando me encontrar vislumbrei o rosto do meu pai, a me espiare, a me falar, sorrindo, que tudo ia ser lindo, que ele sentia orgulho da sua filhinha e que os nossos planos se realizariam. Fui dormir com a sua fisionomia, serena, cravada em minha alma, senti que meu irmão chegava em casa! Graças! Cansado e sorrindo ele vinha vindo, mais um dia de lutas e de concretizações! Finalmente fechei os olhos e pude sonhar em paz! Porque todos os meus "santos" estavam ali, seguros, dentro de mim.
Não desisti de continuar debruçada na janela, nunca vi noite mais bela! E enquanto perdida escutava estrelas, descobria a minha paz, somente aqui.... Dentro de mim.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Poesia


Tudo resolveu fazer silêncio
Tudo está em completo silêncio. Os telefones se tornaram mudos(...)
Vejo com a cinza das horas a transformação de mil planos, de mil sons(...)
As lágrimas que em minha face rolaram viraram pedra com o vento frio da noite
Mas de onde veio-me este impulso em ser poeta de repente?
Mais uma vez contemplo o barulho do silêncio, que traz mil e uma novidades nesta tarde comum...
Se eu soubesse como escutar os seus segredos, eu juro que não teria errado tanto....
O tempo me fez aprender a decifrar a sua razão enquanto gatos assustados rondam a janela do meu quarto na madrugada.
Eu pergunto-me: em que tempo, em que vida, aprendi a falar a tua lingua?
Sinto que não quero fechar este diálogo, ainda não achei a palavra certa, mas ele se finda....
E, As vezes, não sou alegre nem sou triste... Apenas sou poeta.

terça-feira, novembro 08, 2005

Poeira de Sonhos

Foi só isso que restou? Foi tudo isso!
A pulseira e o nosso retrato, que nunca precisaremos olhar
porque quando fecharmos os olhos, anoite, vai estar tudo ali
Vivo para sempre
Nunca mais vai voltar porque nada acontece mais de uma vez
Cada momento é unico e eterno
E por isso teremos tudo sempre, ninguém poderá nos tirar. Nunca.

sábado, novembro 05, 2005

Então...




Então vem, sorri, porque nós dois estamos só de passagem pela cidade desse mundo. Então vem me amar por uns momentos profundos, e o resto... Bobagem.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Não Sei...


Não sei, mas eu acredito em tudo isso. Em cada comentário, cada retorno e cada palavra não dita. Não importa quem é a "platéia", e sim, quem está aqui agora, em cima do "palco", falando de coisas tão profundas como quem brinca com água da chuva. Sempre há um fundo musical para fazer coro às minhas palavras, quase sempre iguais, mas certamente muito diferentes em cada postagem e em cada tentativa de atingir o meu alvo. É difícil falar com a sinceridade dos "grandes", aliás, quem estipulou este padrão de medida? Quem é o meu parâmetro? O que adianta chocar com linhas inteiras de emoção e não fazer a minha própria vida girar em minhas mãos, ou nas mãos de qualquer sonho que me faça acreditar? Medo, não suporto este sentimento, mas ele é o termômetro que me faz abrir os olhos e prestar atenção. Houve um tempo em que ele me fazia recuar e sentar-me na ante-sala do fracasso. Será que isso significa que cresci? Que amadureci? Ou que enlouqueci? Odeio sentir-me julgada, testada ou observada, me dá a impressão de que a qualquer momento não vou corresponder a uma ação, emoção ou expectativa. Isso inibe-me, mas, também, liberta-me. Afinal, eu estou aqui, pronta para o julgamento de todos "vocês"! Não trago nenhuma amargura em minhas palavras, e talvez isso impeça que eu use a minha arma predileta para ir fundo. Só que não quero falar do que não sinto neste momento! Não estou aqui para causar nada em ninguém! Por que me justifico tanto? Se ser mais leve me fará ser menos profundamente chocante, assim serei enquanto sentir. Afinal, isso tudo só existe porque eu alimento e é a minha essência que nutre cada palavra que eu digo, escrevo ou sinto.

sábado, outubro 29, 2005

Hurricane

Sim, chego em casa e vejo tudo em seu lugar, tudo, menos eu. "Hurricane" toca no rádio e lembro de trechos e forças... Enquanto Bob Dylan narra “sua história" eu sinto uma fúria dentro da minha. Minha linda e inefável historinha! Inefável, ô palavrinha meio brega, ideal para o que quero dizer agora. Desculpe-me quem me ensinou, não foi essa a minha intenção, mas, certamente ficou clara a minha "tradução".
Ouvi mil coisas hoje... Confissões e sentimentos. Nada faz sentido quando racionalizado demais. Por isso eu apenas aumento o rádio e vou junto com a fúria do furacão! Quem poderia me deter? Quem vai me parar? Ahhhhh de vez em quando sentir um vinho quente no sangue é inebriante. A quem eu quero atingir falando assim? Qual dos meus fantasminhas favoritos estão por aqui? Sonhei com meu irmão, foi um sonho longo e confuso, ele não tava bem e eu tava muito ansiosa. Perdi a chance de vê-lo outra vez! Falei como tanto queria com o meu outro sangue, finalmente ele se deu conta de que precisa de mim! E que eu nunca ficaria contra ele. Por nada nessa vida! Admiro-o tanto, meu irmão, meu sangue, meu ídolo, uma das razões da minha vida! Você anda exausto e eu sofro por não poder te ajudar mais.
Andei lendo alguma coisa sobre sentir o momento presente para não deixar escapulir o agora. Nem falo mais sobre o que o agora representa para mim, isso é mais que repetitivo, e acabo criando uma obrigação mental de escrever e de me superar. Impossível! Nem sempre quero escrever ou consigo encontrar as palavras certas para o tal do “agora”. Acho um saco cobranças e prefiro continuar aqui escutando a história do furacão. Gosto da indignação na voz “dele”, gosto da sua revolta e ironia não tão veladas na música, acho que é assim que me sinto. Mas, eu juro, não vou permitir que nenhuma “gracinha” me tire do sério. Nem adianta espernear! Pode se matar! Eu não to nem ai. Estou muito ocupada comigo mesma neste momento, me desculpe, mas, eu tenho que continuar escutando a “minha música" e deixar o "meu furacão” varrer toda essa coisa.
Antes que eu me esqueça, não posso deixar de me sentir enternecida com as lindas poesias que escutei! E a música é longa... E me dá mais vontade de continuar... Eu vou aprender para ensinar melhor... E depois ainda voltarei neste texto, neste dia, só para ter certeza de que eu estava no caminho certo!

quinta-feira, outubro 27, 2005

Saudade? Que Falta....

Uma vez me disseram que sentir saudade é diferente de sentir falta. Eu nunca havia parado para pensar na sutil diferença entre os dois sentimentos. Sentir saudade remete a algo que nunca tivemos mas, que persiste dentro de nós, na ânsia de encontrarmos. É aquela velha história de: “sinto uma saudade de não sei o quê...” E sentir falta é a “saudade” de algo que já vivemos, que já presenciamos e que queremos de volta. Pode ser uma pessoa, um lugar, um estado de espírito, um sonho na noite.... Enfim, é a falta daquela energia que nos fez tão bem, que esteve, em algum momento, preenchendo a nós mesmos.
Hoje sei bem quando sinto saudade e quando sinto falta. A saudade está transbordada em tudo que eu escrevo, sinto, penso.... É o que me motiva a continuar, para chegar, quem sabe, lá no lugar onde matarei minha saudade para sempre e ressuscitarei novos desejos.
A minha falta também é intensa.... Sinto tanta falta de coisas, lugares, sentimentos.... Falta de sonhos.... Falta de você! E, às vezes, reinvento em minha cabeça todo o meu passado... Só para poder buscar em algum lugar o meu momento exato. Às vezes sinto tua presença ao meu lado, posso sentir tuas mãos em mim, tua respiração no meu rosto.... Então, por isso, eu falo: Deixa a tua janela aberta e quem sabe não consigas me perceber, agora, ai, ao teu lado, carregada de pensamentos.... No vento.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Dormindo...


uma noite dessas sonhei que te perdia, e quando acordei vi que estavas ao meu lado e pude ouvir a tua respiração. Eu fico imaginando como e quando aprendemos essa linguagem secreta. Eu só sei que em certos momentos, no meio do silêncio, eu escuto você.
Uma noite dessas eu fui lá na gruta mágica, estava linda a noite e a lua cescente prateava o lago dos meus sonhos e sorrisos refletios na água. Eu passeei pelas pedras azuis e gentilmente caminhei sobre todos os sonhos que já vivi ali. Depois de muita paz resolvi voltar a Tebas, de muitos anos atrás, e lá vi o seu céu cintilante me dizendo que sim... Eu estava lá e pude escutar a melodia que da tua boca saia... Deixando-me levar, de novo, para o mesmo transe sem fim.
Quando não pude mais evitar e nem queria mais te afastar beijei a noite estrelada e voltei para o topo da montanha, onde pude ver o mar se arrebentar contra as rochas; e desta forma, sussurrar em meus ouvidos que o sol acordaria lindo amanhã. Agora, apenas sinto o vento lambendo o meu corpo nu e a água do mar me acariciando lenta e agressivamente. Apenas olho a noite e vejo na lua o mesmo mistério que ronda a minha existência sem explicação. Apenas espero ver onde vai nos levar o trem que leva o meu coração em vagões perdidos de tantos sonhos e amores mofados do passado.
Agora, que volto para cá, ainda que em sonho, olho nos teus olhos e me vejo refletida da forma mais inteira.... Apenas consigo me ver em você.

domingo, outubro 16, 2005

Descobri...

Uma vez eu li que existem três coisas que devemos fazer na vida, são elas: ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Destas, pelo menos a minha árvore eu plantei. Poderei escrever algum dia, afinal, material eu tenho de sobra, mundo de palavras escritas em livros e diários. Quero trilhar o meu caminho nesta vida, onde algumas pessoas ao meu redor deverão ser como o sol ou a chuva: passageiras, necessárias e infinitamente constantes. Pessoas as vezes são barreiras, que por sua vez, serão só momentos, assim como eu escrevendo isso agora. Como tudo na vida eu sei que amores sempre vêm e amores sempre vão, mas quem poderia estar partindo agora? Se tivesse gastando um pouco de tempo para esclarecer as coisas, certamente, estaria com minha cabeça deitada no travesseiro sabendo que eras "meu". Decisões, agora, só iriam simplificar ou complicar demais as coisas! E eu quero vivê-las, apenas isso! De que irá valer "pular fora" sempre que algo esteja fugindo ao meu controle? Onde irei parar se tudo o que eu fizer estiver sempre em minhas mãos? Certamente em uma vida muito arrumada, previsível e morna. Seria tudo tranqüilamente cinza. Do que adianta fugir de mim mesma? O que conheço ainda é tão pouco e "crescer" incorre sempre em riscos... Chega a ser excitante quando usados a nosso favor.
Já li vários livros e já busquei respostas em religiões, oráculos, filosofia e seres humanos, de alguma forma, tudo me responde a mesma coisa com dezenas de caminhos diferentes. Esse é o mistério. Não é a resposta. É o caminho! E qual é o meu, agora? Aprendi que há várias formas de ver a mesma coisa e conhecer a mesma verdade. Descobri que a força de uma paixão ou a simples necessidade de provar algo a si mesmo nos faz rastejar muitas vezes e perder qualquer controle e senso de limite. Mas qual é o limite? Que tipo de vida é essa? Que regras são essas? Quem as criou? Descobri que para ser valorizada tenho que estar muitas vezes em segundo plano. Descobri que muitas vezes fui usada por pessoas que eu acreditava e julgava tão "minhas" como sei que estrelas existem no céu. Mas quantas vezes usei também todos os "santos" que por mim passaram? Porque não sou santa! E só respeito às minhas próprias tradições e leis. A vida nos força a uma farsa. Um grande teatro ondo tenho o meu papel assim como todos os outros, mas existem momentos em que preciso tanto da verdade! E pode ser tarde demais... faz parte do jogo e todos somos convidados a participar, não há como fugir disso, não adianta criar situações, afinal, faz parte da "festa" e se a máscara cair a queda pode ser grande demais. Então, temos que escolher entre: viver ou sofrer. Viver inclui mentir, fazer o papel hipócrita da sociedade que nos espera, com direito a jantares sem fome e sexo sem amor. Enquento sofrer é ser ingênuo como uma criança e deixar que o mundo veja seu soriso estampado no rosto... Sem culpa... Transbordando de esperança.... Mas, de repente, mostrar esta criança é dar ao mundo uma arma a mais para ele te machucar: Você!
Quem nos fez acreditar neste absurdo? Quem pôde ser capaz de forçar-nos a apagar e esconder o que de mais caro temos? Por muito tempo fiquei sem saber qual a minha escolha. Não queria sofrer...Mas não podia matar meu lado mais real, mais nobre...Não podia me anular... Ainda que sofresse...Ainda que chorasse. Desobri que seja qual for a escolha o importante é continuar em frente e ver o que o caminho tem a dizer. No final, esta será a nossa única bagagem mesmo. Acredito que invariavelment existe o lado bom em todo e qualquer caos e que, nem sempre o caminho mais curto é o melhor, ou ter um ombro para chorar as nossa dores é o mais necessário. Também descobri que "Deus não é tão mal assim"... Como ouvi na canção.... E que só o futuro tem as respostas que não são estáticas e nem necessáriamente satisfatórias.... Tudo isso ainda depende do agora. Descobri que viver e me entregar é a experiência mais mágica que pude presenciar. Quem poderá me culpar? Quem poderá me machucar agora, que estou cercada de mim mesma e saio pelo mundo com os grandes olhos arregalados e com o meu mais potente escudo?
O meu sorriso de criança.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Passado no Futuro...

Que loucura é essa, meu Deus? De repente parece que todos resolveram se unir só para me confundir, só para me arrastar de novo para uma sansara de noites em claro e sem respostas? Foi forte sim. Fortes palavras e violentas emoções. Típicos da minha vida, mas não me tirou do chão! E isso é estranhamente libertador. Pra que me preocupar se o mundo sente, ou não? Se o mundo quer, ou não? Se vou perder tudo agora, ou mais tarde? Como se eu pudesse evitar... Não tem explicação e nem necessidade. Se eu tivesse, agora, todas essas respostas, que diferença faria, hein? O que importa realmente? saber ou viver? Tenho escolhido viver, viver sem saber e tem sido tão bom.... Fácil.... Noites calmas, dias tranquilos, sem buscar razões, sem querer explicações.
Mas agora que tudo se acalma, alguém resolve voltar do passado e bater na minha porta forçando-me a ter que pensar em respostas! Forçando-me o tomar decisões e a adivinhar emoções e sentimentos! Não! Não dá mais para desaprender, não dá mais para retroceder, não dá mais pra nós dois amor.... não assim.... não sem mim. Hoje só cabe eu mesma neste conto de fadas. Hoje eu comecei a tomar coragem e dei os meus primeiros passos. Hoje sou mais íntegra e mais responsável por essa tal integridade. Meu amigo me ajudou a descobrir a sutil diferença entre felicidade e integridade, meus amigos de verdade estão aqui! Posso vê-los com nitidez, porque eles estão refletidos no vento da noite cheia de promessas; e, sobretudo, cheia de amor. Um amor que traz liberdade e serenidade. Hoje, só serve se for livre, inteiro e íntegro. Afinal, que diabos eu vou fazer num caminho que além de não levar a lugar nenhum, ainda por cima, não tenha coração? E sempre tomarei muito cuidado, pois pedidos feitos em prais desertas realizam-se, sim! E, apesar de toda loucura, meu coração já disse que sim. E eu vou continuar quantas vezes ele julgar necessário.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Tempo de sua vida

Qual terá sido o "tempo" da minha vida? Aquele momento exato que justifica o meu viver. Aquele lampejo de sensação que traz todas as razões sem lógica ou regras. Aquele instante que captei na sutileza de um dia comum. Enquanto escutava uma música refletia sobre as lembranças que trago, sobre as tatuagens de memória cravadas em minha alma e que fazem com que todo o tempo tenha valido a pena o tempo todo. Passei dias diferentes, irreverentes, livres... bons tempos, boas tatuagens de memória... onde ficamos expostos ao sol e ao invés de "chegarmos queimados", chegamos "levemente bronzeados" e alegres. Isso é que faz sentido! Finalmente alguma coisa se encaixa. Estranho como estou cheia de coisas para falar, contar, sentir mas não consigo ordenar meus pensamentos de forma linear e tranquila. Não consigo achar as palavras que traduzam o que sinto. Pobres palavras! Recuso-me a minimizar o que sinto às tão simples e rasas palavras. Seria roubar muito de mim mesma tentar escrever agora.

terça-feira, setembro 27, 2005

Sonho de Criança

Ando escrevendo muito ultimamente. Pena que dou mil voltas e acabo falando das mesmas coisas, com as mesmas palavras e os mesmos cansativos sentimentos. Engraçado, eu sempre falei tanto que a vida era como uma grande montanha, onde a cada subida e a cada nova curva vislumbramos novos horizontes, os quais justificavam o temporário desconhecimento sobre nós mesmos, e sobre as decisões que a vida as vezes nos coloca guela abaixo. Estranho como é difícil deixar a vida falar, levar um pouco a gente, e ao mesmo tempo é o caminho mais fácil e o que menos aceitamos. É hilário como nos iludimos achando ter as rédeas de alguma coisa. Não temos nem a nós mesmos! Sequer sabemos o que nos originou! Não podemos garantir o nosso passado que dirá...
A minha força acredita que eu faço diferença sim! Que se eu não existisse algo não estaria perfeito, algo não faria sentido. Eu sou uma peça tão insignificante quanto fundamental nesta imensidão do universo. Voei por várias vezes como uma anjo caído atrás de uma ilusão e por muitas noites foi esta que me alimentou e me deu razão. Não quero simplesmente apagar a minha história, não quero me bastar e ser uma ilha de solidão quase tranquila, quase silenciosa, quase perfeita. Não quero me conformar só porque não tenho as respostas. Pouco me importa se vai haver algum sentido para o sem sentido do viver. Pouco me importa se está tudo evaporando ou se transformando em sei lá o quê. Eu quero agora é gritar bem alto e acreditar nos olhos de algum estranho, qualquer um, que tenha coração. Eu quero agora alimentar a minha dor até ela morrer de tédio, enfartada dela mesma. Quero viver a minha revolta devagar e intensamente. Quero deixar a garotinha quase perfeita do papai pintar as paredes do mundo e mostrar que não é uma santa, que chora sempre quando sente medo, que sofre sempre quando sente dor e que sonha sempre... sempre com um dia melhor.
Por Deus! Onde eu estava que não vi aquele homem ao pé da escada a me olhar escandalosamente com uma sede de vida e uma ternura quase juvenis? Onde eu me escondia que não esbarrei naquelas mãos tolas e lindas a me buscar, a me atormantar, a me fazer delirar? Como um anjo pode ser mortal de repente? Como um santo pode morrer sem altar simplesmente? Como um "anjo" pode ter a chave de toda a beleza, ternura e magia do mundo? Como sou boba e alegre nestas horas em que deixo a menina correr descalça pelo jardim e pela casa, arrastando tudo que há pela frente na barra da sua saia, cheinha de vida e encantamento. Cheinha de sonhos e ilusão. Cheinha de desejos e fantasias.
Correndo só com o coração.

terça-feira, setembro 13, 2005

Magia. Dor e Amor?

Magia. Passeia noites inteiras vivendo na mais pura magia estes dias. Voava e enfeitiçava junto com eles, fazia parte de seus rituais e buscas, ouvia o som do pianao me anestesiar com suas melodias tristes. A insônia me fez companhia por mais uma longa e solitária noite, e junto com ela mergulhei nas páginas dos meus antigos diários, cheios de magia, mistérios e ilusão. Precisava desesperadamente mergulhar de novo em minhas memórias. Busquei em cada página beber o meu ser intensa e violentamente. Queria esquecer de você para sempre ou te possuir por inteiro de uma vez! Queria uma definição, uma segurança, alguma constatação. A minha vaidade tem se mostrado mais vaidosa do que nunca. Não aceita este silêncio escandaloso. A vida me traz de volta ciclos inteiros de sonhos, eu vi na televisão! Eu estava lá! Eu chorei junto com "eles" e amei com tanta intensidade suas paixões. Foi nesta hora que o encontrei, no momento final! E os olhos continuaram a dizer coisas infinitas... E a música e os santos têm me carregado gentilemente para longe deste meu cansativo drama; e me alimentado de uma espécie de esperança quase juvenil, quase infantil, quase feliz. Eu procuro "você" há tanto tempo! Eu te preciso como nunca! Há tantas vidas que eu te necessito! A tantas noites sinto meus olhos rasos d'água ao mesmo tempo que um leve sorriso brota dos meus lábios... Durante longas noites vejo "tua" sombra através de lágrimas no meu travesseiro. Oh meu mestre, meu sonho, minha vida! Traz de novo o sentido de existir. A quantas tempestades te busco? A quantas noites solitárias te clamo? Infinitas..... Quantos sóis, quantas vidas ainda hei de viver sem "meus olhos".
E, em homenagem a Magia.....

"Magia, mente de marfim. Pele de cetim
Pelos dourados ao sol
Sinto que sou um paiol
Pronto para explodir.
Vida porque tu és assim
Se afasta sempre de mim
Como um peixe no mar a nadar.
Com os seus olhos de lince
Serpente de emoção
Enfeitiça o meu coração
A uma estrela do mar
Não se pode dizer não.
Tempo, segue logo meu pranto
Acorde de novo meu canto
Faça de mim uma estrela brilhar"
By Luiz caldas

segunda-feira, setembro 12, 2005

Tristeza


Oi tristeza, eu gostaria de saber quando é que você vai embora?

Quando é que vai cansar de mim? Quando é que vai deixar meu peito respirar sem dor? Gostaria de saber porque você é tão intensa.

O que te movimenta? E por que és tão necessária?

Qual será a tua mensagem? ou será que não traz alguma razão?

Alguma justificativa plausível e mesmo assim me acorrenta indiscriminadamente tantas e tantas noites através de gritos mudos e abafadas em meu coração.

quinta-feira, setembro 08, 2005

O Bolo

Uma das coisas que sempre me fizeram sentir grande raiva e tristeza foi quando alguém deixou de comparecer a um encontro marcado comigo. Desde novinha, sempre tive péssimas experiências acerca desta situação, pois não foram poucas as vezes que me aprontava física, psicológica e emocionalmente para esperar alguém e me deparar com o passar das horas e finalmente encarar o descaso explícito, sem qualquer aviso, qualquer consideração ou razão. Essa, certamente será a sua maior virtude, a mais nobre, a que mais me fez deixar você entrar na minha vida! a tua pontualidade quase sagrada. Hoje não vivo mais angustiada com os "furos" e descasos, mas ainda me traz uma mofada sensação de mal estar, de retrocesso, porque consegui vivenciar a presença, a segurança e não suportaria mais admitir a indiferença. Acho isso tão triste e desnecessário! Mais uma vez escuto uma canção que me trasporta no tempo e me faz desejar o passado projatado em um futuro tão incerto, cheinho de talvez! É horrível o talvez. Um não dói. Um sim pode levar aos céus. Mas um talvez acorrenta a alma de incertezas, de será, de interrogações. A cada dia estamos mais distantes e procuro não pensar nisso. Eu estou literalmente deixando a vida me levar e escolhi não fazer nada. Nada por você, nada por nós dois... Nada por ninguém! Escolhi não escolher, e definitivamente não sinto mais você ao meu lado, as vezes, simplesmente, você deixa de existir em minha vida e a cada minuto você vai morrendo junto com as cinzas das horas que passam sem piedade.
Fui ver um lindo filme esses dias e me envolvi tanto com o sentimento daquelas pessoas! Chorei e sorri com elas como se fossem minhas as suas emoções. E agora, de novo a música me leva para os braços da noite carregada de magia, promessas e sonhos...... E agora, só a noite me pertence e só a esta eu pertenço, junto com a música e o sonho. Agora não há desfeita que possa me fazer chorar. Agora, que já estive no chão, só posso levantar e caminhar, para quem sabe um dia....um dia "me" trazer de volta para mim.

quinta-feira, setembro 01, 2005

De novo adeus!

Você acabou de sair de novo da minha vida! Quantas vezes mais eu vou ter que te dar adeus? Nada mudou desde o primeiro. Você está tentando, está buscando no mundo a felicidade que não achava mais por aqui. Amor. Você fala em amor. Eu tento acreditar neste amor, aliás, eu preciso, ainda, acredita neste amor. Foi tudo o que me restou de você, e a cada dia que passa você está mais longe, e eu sinto que me acostumo a viver sem você e isso é quase tão bom quanto viver com você! Acabei de te desejar boa noite como nos velhos tempos, as vezes preciso abrir um parentese na confusa realidade do presente e deixar o passado viver só mais um pouquinho.... só mais um pouquinho. Nem que seja pela última vez! descobri que gosto mais de você do que eu julgava e também que posso te esquecer mais rápido do que eu gostaria. Converso com anjos e ouço no silêncio respostas que ainda não compreendo! Assim como ouço esta canção eu me deixo levar para um lugar tão seguro e aconchegante dentro de mim, que nada nem ninguem pode me fazer sair deste transe... a música é minha máquina do tempo, é minha fuga e meu encontro comigo mesma. Não me conformo com a tua calma em me deixar partir. Você me acostumou muito mal com tantos dramas e choros que é estranho esta calma quase escandalosa. Queria te fazer sentir a minha ira e o meu amor, mas agora os meus poderes não funcionam com você. Nunca imaginei que terias tanto espaço neste cantinho que é só meu e dos meus amores perdidos em tempos atrás. Adeus menino! vá adiante e não olhe para traz. Adeus passado fique no seu lugar e me deixe em paz! Adeus nós dois ou até mais.

terça-feira, agosto 09, 2005

Carta para você

Oi, esses dias pensei em você. Pensei principalmente no quanto você se tornou especial por toda a sua atenção e pontualidade. Pensei nas noites em que o telefone tocava de madrugada e eu ouvia você me dizendo que tudo ia ficar bem, que estaria sempre ao meu lado, que cuidaria para sempre de mim. Pensei nos momentos ardentes em que a paixão queimava tanto na pele que mal podiamos respirar. Pensei em um encontro feliz que me fez dormir em paz por muitas noites, longas noites e mágicas noites.
Você partiu o meu coração e da minha vida, e o que mais me atormenta é que nada você fez de errado, a não ser me deixar partir. Saiu de meu mundo da mesma forma como entrou: subita e violentamente. Apareceu na minha frente como mágica e desapareceu como espumas ao vento.
Talvez você nunca saiba de verdade o que significou para mim. Talvez nem eu mesma saiba de verdade o seu real significado. Mas, com absoluta certeza, algo mudou depois que você passou pela minha vida, e continua em profunada mudança. Você se transformou em anjo e demônio várias vezes na tentativa de me fazer te amar! de me fazer feliz! de me fazer chorar.
Choro hoje. No fundo eu sempre soube que este dia iria chegar. Ainda é difícil viver sem você, sem suas ligações e seus dramas passionais. Ainda é difícil acreditar que já acabou e que quase conseguimos mudar o destino só para ficarmos juntos.

domingo, junho 26, 2005

Qual a razão?

Enquanto lia mais um capítulo de madame Bovary, lembrei-me, de repente, das almas gêmeas.
Sempre houve um mistério tosco em torno das solitárias e errantes almas irmãs. Existiu um tempo em que nada era mais certo sob a terra como o fato de que a minha cara metade estava a me esperar em algum lugar. E quando selássemos este encontro, moveríamos céus e terra em infinitas noites de prazes e paz. Hoje, não costumo cultuar mais essa fascinante busca, embora saiba que, em algum lugar alguém sente por mim! Não busco ou idealizo este sonho inatingível de perfeição. Vejo apenas lindas histórias contadas com muito carinho e intensidade e sobretudo com uma imensa dor que um amor traz! Eu, de certa forma, me adaptei a este mundo que não me pertence e onde muito menos eu pertenço. Como uma estranha sobrevivo a espera do milagre, sobrevivendo a mim mesma, estafada de tanta mesmice e banalidade, enfadada de tanta demagogia e superficialidades. Superficialidade esta que é a salvação da humanidade. Nos aprofundarmos demais é perigoso e pode até matar.
Vejo na Tv escândalos políticos de um país em dacadência. Nesta hora, apesar da imensa solidão da minha alma, vejo que não estou sozinha. Um dia eu terei todas as respostas ou simplesmente as criarei. Talvez eu não chegue a lugar nenhum e essa aventura planetária seja só mais um erro do Big Bang.
Mesmo sem nenhuma razão da existência humana, há que se ver a sua beleza tão terna. E mesmo sem lógica, isso justifica a minha existência.

quarta-feira, junho 08, 2005

Ontem. Foi um sonho?

Ontem foi particularmente estranha e surreal a experiência que vivi. Eu estava ali naquele lugar frio e triste, com pessoas sentindo dor e esperando alguem aliviar mais do que isso, enquanto via de repente um sonho e uma agonia virar realidade. Eu pude estar tão próxima como nunca estive e talvez nunca mais esteja de alguém que eu sempre quis. Eu poderia ter sido muito mais intensa com a minha presença, só que não fui... Minha mãe olhava para mim e eu via nela uma filha perdida e sozinha procurando uma mãe. Eu olhava pra ela e pensava que eu tinha que dar um jeito logo "naquilo". Afinal, ela precisava de mim.
Próximo dali eu olhava para ele, deitado e sonolento, e sentia uma imensa vontade de ser especial, de fazer algo realmente especial, de cuidar e acolher de forma infinitamente especial....Mas, deixei toda essa mulher especial escapulir por entre os dedos e impotente eu lembrava de coisas do passado e de quantas vezes meus olhos cruzaram com aqueles negros olhos a me procurar, a me atormentar, a me pirraçar!!!
Quem sabe de alguma forma a ressonância das palavras intencionais que eu não disse ecoem dentro dele, e nesta hora ele sinta a minha falta e no concavo da sua alma, possa fazê-lo sentir-me?

quarta-feira, maio 25, 2005

Finito Amor


Sentir sobre a minha carne o calor do teu corpo nu e a angústia de perpetuar em cada milimetro de tempo o prazer. Às vezes, na felicidade cadente de alcançar os céus, tenho pena de nós que tornamos finito o amor.

quarta-feira, maio 18, 2005

Valsa de Sonhos

O vento frio ronda e distrai a madrugada pesada e escura. Lá no horizonte existe uma idéia, uma frase, um sinal de que atravessando a tempestade e escalando as montanhas mais ásperas da história haverá um tesouro guardado esperando por nossas mentes transbordadas de ideologias e sons. Bandolins encerram a cantiga da noite e uma menina dança a última partitura. A chuva enche seus pés de lama e sua alma de alegria. Ele olha para ela como se contemplasse o nascimento de Cristo, ela fita seu olhar fixo e continua rodando no centro, sua saia esvoaçante atrai vagos olhares à seus pés enlameados, embebedados de sons e de vida, e ela valsa como uma criança e a fada do seu botequim. Assiste sua última e eterna dança, entre as águas e a lama, entre a terra e os homens, entre o prazer e a dor, o amor e o pavor. Ela valsando como um anjo ingênuo e cristalino e ele bebendo o seu mais profundo prazer entre sorrisos e sonhos.

terça-feira, maio 17, 2005

A Maquina Mágica

Quando eu era criança costumava subir no alto de uma goiabeira no sítio onde eu morava e ficava olhando para o céu esperando os aviões passarem. Ficava imaginando para aonde aquelas máquinas do tempo estariam carregando as pessoas.
Para mim os aviões sempre foram mágicos.... Assim como a minha mãe. Aos cinco anos de idade descobri a pessoa mais enigmática do planeta, mais bela e forte, mais linda e sensível: a minha mãe!Para mim ela era simplesmente um anjo. Mas, talvez aos cinco anos de idade todos nós pensemos que as nossas mães são como anjos, porém, havia algo mais forte e intrigante nesta relação, ela era humanamente errante! Como um humano qualquer. E mesmo assim eu a amava e a admirava como uma santa no altar. Ahhh os meus cinco, seis, sete anos.... ahhhh a minha infância cheia de maquinas mágicas que cruzavam os céus e com criaturas celestiais vestidas de mãe..... ahhhhh que saudade dessas certezas!
A felicidade talvez seja um lugar no tempo onde nada nem nenhuma verdade possa destruir a nossa paz.

segunda-feira, maio 16, 2005

Cathy

"Meus maiores sofrimentos neste mundo têm sido os sofrimentos de Heathcliff; fui testemunha deles e senti-os todos, desde o começo. Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse, e ele fosse aniquilado, eu ficaria só num mundo estranho, incapaz de ter parte nesse mundo. Meu amor por Linton é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores - isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. Eu sou Heathcliff. Sempre, sempre o tenho no meu pensamento. Não é como um prazer - porque eu também não sou um prazer para mim própria - mas como o meu próprio ser. "

sexta-feira, maio 13, 2005

Sua Melodia

Você é uma pintura com símbolos fundos.
Uma sinfonia, macia como as luzes da escuridão.
Um poema que flui, enquanto acaricia a minha pele.
Em todas estas coisas reside você. E eu quero fluir
Desta caneta, papel e tela com tintas e cores para espalhar
No ar sua luz matutina até a escuridão da noite.
Esta é a minha prece, eu pertenço a você.
Esta é minha chamada, cantar a sua melodia.
Esta é minha razão, eu não posso fazer nada mais....
Nada mais...
Você é o cheiro de uma flor encontrável
Uma melodia simples, eu só escrevo variações para
Uma chave que destrancará a porta onde eu posso ouvir uma voz cantar temas familiares.
Então me acene e teça notas entre um arco e um fio, um pesadelo e um sonho,
Entre a luz matutina e a escuridão da noite.....

quarta-feira, maio 11, 2005

O Mistério da Vida

Um dia desses eu estava pensando sobre a razão da nossa existência. Aliás, desde muito novinha sempre especulei, sem muito sucesso, acerca desse tema. Essa resposta ainda não encontrei e talvez nunca a encontre, embora eu acredite que invariavelmente para todas as perguntas exista uma resposta no universo, mesmo que nós ainda não sejamos capazes de compreender. Bom, nessa minha divagação de pensamentos me peguei simplesmente pensando que o acaso também é uma possibilidade, que os meus sofrimentos e angustias podem ser por acaso, que o acaso pode ser o motivo de tanta dor, alegria e tristeza em minha alma e que, por que não, o acaso poderá ser também o responsável pela minha "ida".
O acaso é assustador!!!! E de repente descobri o que tanto me incomoda nessa questão da nossa existência..... O acaso!