Procuro um caminho, mas caminhos não são capazes de me dizer a razão.
Procuro a chuva, mas a chuva não pode me livrar da solidão.
Procuro você, mas você não mora mais em mim....

Queria pular em cima de você agora com todas as minhas garras e as minhas forças para, quem sabe, impedir você de ir embora.
Como me julguei amada, e como valsei na madrugada, ao som dos eternos bandolins que envolviam minha alma entorpecida de sons, emoções e cores cintilantes...
Silêncio por favor, porque hoje estou de luto.
Você chegou... Chegou... Tão suave quanto uma tempestade.
O que eu sou? Apenas um poço de ilusões.
Que a magia te envolva nas noites de frio, e que o sol te guie nas manhãs de primavera, por entre as flores mais belas e perfumadas, para te mostrar a direção quando a chuva cair e a noite chegar no final do outono...
Que a chuva lave toda minha angústia!
Quem sou eu?
Estou sensível estes dias... Sensível como uma criança, aliás, como a criança que reside em mim.
Quando eu era criança costumava ouvir escondida as musicas que meus irmãos escutavam. Ficava noites inteiras imaginando como era dançar ao som delas no meio de uma arena imaginária. Recordo-me de olhar os bambuzais e vê-los sempre entrecortados pelo vento do fim de tarde ao som de Hotel Califórnia.
Estou aqui sentada... Esperando por sua resposta que não veio.
Sim, eu sonhava com você. E eu continuo a sonhar com você, menino. Continuo a me embriagar no prazer que é existir para te achar. Em qualquer lugar... Naquela escada, naquela esquina, naquela noite cintilante, ou até aqui na minha tela imaginária.
Por que será que é tão difícil deixar o devir fluir em paz?
I came back! I did it in the last time! I need to do it again!
Estava chovendo que nem agora. Era tarde... Era noite que nem agora. Você chegou na porta todo sorridente; você abriu o seu coração ao ouvir uma canção.
Ainda posso sentir a mesma emoção. As purpurinas caindo na chuva. Seus olhos quentes me seduzindo, me calando, me amando, como na primeira e na última vez.
Sinto tua falta. Falta da tua jovialidade, da tua força, da tua coragem.
Sabe aquela hora onde todas as razões escapolem por entre os dedos e afundam no buraco mais profundo à sua frente? Sabe aquela impotência que te amarra, de forma quase material, ao chão e a única coisa que te resta é ajoelhar e rezar?
Estava lendo sobre bruxaria, magia, fantasia. Acredito em todas as vidas passadas. Acredito que nada se acaba, assim como o sonho confuso e gostoso desta tarde. Era tão bonito aquele lugar! Amplo e cheio de espelhos refletindo o azul claro da tarde que estava indo embora...
Eu sou parte de um plano secreto. Sou parte de uma sagrada família de tão simples mortais. Sou tão nobre e fútil quanto qualquer dama, qualquer profana.
Passado... Palavra mágica que contém um punhado de momentos imortais.
Tento falar o que me vai à alma... É inútil dizer alguma coisa. Simplesmente ininteligível.
Nunca pensei que estaria, mais uma vez, escutando a fúria do Hurricane e revivendo toda esta avalanche dentro de mim. É verdade... Tudo é tão fácil no campo das palavras e das promessas que... Mais uma vez me revolto, me solto, me jogo nesta fúria!
Deitei suavemente para sentir o que acabara de ler. Fechei os olhos e foi inevitável o que veio à minha mente. Primeiro tentei relutar, me concentrar no meu objetivo, depois percebi que era inútil lutar porque toda vez que sinto esta força despertar em mim preciso voltar e senti-la do início até o fim.
E daí que você esta triste garotinha? E daí que tens estas lágrimas derramadas no chão? Você ainda não aprendeu que todas as coisas que temos nasceram para um dia partir? Nada escapa às “mãos” sábias da vida e tudo se vai para o nunca mais...
Voltarei um dia àquele jardim? Será que ainda existem as pedrinhas azuis que deixei por lá? Será que as águas cristalinas da cachoeira sentem minha falta?
Ouvindo Danny Pelfey, mais uma vez, sinto uma saudade abafada e tão profunda de reviver e penetrar outra vez “naquele mundo” de intensa magia. Onde eu me isolava da frieza dos dias e aconchegadamente deitava-me sobre as minhas quentes lembranças para, de forma concentrada: partir, mais uma vez, para “aquele mundo” tão intenso, tão introspectivo e tão meu que eu revivi durante dias através de uma tela surreal disposta, gentilmente, em minha frente.
Quem é você?
Onde foi que deixei você escapulir minha “paz”?
Quase consegui chegar lá. Estava quase conseguindo invadir aquela memória perdida que me faz sentir tão bem. Era uma tarde como outra qualquer quando te vi pela primeira vez. Era um dia comum que mudou a minha vida. Você estava lá, sempre fora the best! E eu acompanhava a sombra dos teus passos me sentindo a mais amada e desejada dentre os mortais. Quase fui “lá” agora a pouco, quando escutei “aquela” musica. Quase me senti você outra vez! Que saudade! Quanta coisa aconteceu, afinal? Quem éramos nós naquelas noites alegres e naquela preciosa tarde de verão?
Voltando ao famoso “morro das ilusões” eu pude ver você de novo e isso foi quase assustador para mim. Por que você voltou? Quem te libertou?
Eu não esqueço nada! Eu nunca esqueci absolutamente nada e “todas as vezes você me tratou bem... Continuou mantendo meu coração ferido”. No fim de todos os dias iguais e ao mesmo tempo tão diferentes eu consigo enxergar o quanto eu fui longe... Longe demais... Nunca mais olhei para trás e isso me faz tão bem! Todos os sentidos e respostas que sempre busquei, ainda não encontrei, só que isso não faz a menor diferença, agora! Eu apenas fecho os olhos e posso vê-lo como da última e da primeira vez. Posso ver você dissolvendo no ar, em todas as partes que fora concreto para mim um dia. A minha verdade foi tão forte quanto uma brisa de verão... Ela se perdeu na primeira mentira que escutou para conseguir dormir em paz outra vez.
Estava pensando... Aliás, estava cantando... Não, na verdade eu estava vivendo!!!
Quando foi que te deixei partir, “meus olhos”? Quando me esqueci de você? Me diz!
Se querias vir então porque não veio? Se querias tanto me levar daqui então porque partiu sem mim? Se precisava tanto do meu colo e juravas eternidade e plenitude, então, porque fez finito o nosso amor? Por que (...) .
Cansei dos eternos mal entendidos das relações. Cansei desta infinita frustração de ir ao encontro de palavras vazias que não significam nada quando são colocadas diante da realidade dos defeitos.
Vamos entrar no universo perigoso da sensibilidade. Aquele lugarzinho onde tudo é infinitamente potencializado e pode, às vezes, levantar pequenos cacos de vidro em meio a jardins floridos.
Sabe aquela horinha na vida onde cai a ficha e tudo fica severamente claro e libertadoramente frio? Foi assim que me senti quando olhei o reverso da medalha. É bem verdade que a muito ninguém quis me enganar mais do que eu mesma, porém, alguma coisa camuflada neste “véu” de ilusões me fazia enxergar, apenas, o teimoso lado da dor.
Agora, nesta droga de momento de completa descrença e desilusão, eu enxergo claramente quem são vocês!
Encarei seus olhos que me diziam as mesmas coisas da primeira vez.