sexta-feira, junho 07, 2013

Adieu Monsieur




Porque é hora de dar adeus a tudo aquilo que não faz mais parte da realidade, do presente, do doce amanhecer do agora. Porque é hora de voltar a sorrir genuinamente, debaixo das árvores graciosas da Primavera parisiense – sim, eu estive lá por duas vezes, mas na primeira vez foi cinza... Da segunda foi liberdade, sonhos e cores! Porque chegou a hora de escrever outras páginas, belas páginas, neste livro encantador que trago nas mãos, no coração, cravado na memória dos meus eternos dezesseis anos. Porque eu aprendi a esperar a tempestade passar e ao mesmo tempo regozijar-me com as gotas de chuva em minha janela nas manhãs cinza do outono, porque eu consegui sobreviver ao gélido inverno daquelas almas que foram irmãs por algumas páginas desta existência, porque eu consegui vestir o meu melhor sorriso e caminha pelo sol tropical quando não havia mais lágrimas para deixar para trás, assim, deixei para trás alguns sonhos dourados que cultivei na tela prateada da esperança, bem como “that bitter tears” que deixaram cicatrizes contundentes em meu coração. Precisei esperar o dia de hoje, e exatamente hoje, por diversas razões emocionais, consigo sorrir com leveza, ciente do caminho que começo a trilhar, ciente do que tive que, dentro de mim, enterrar, para finalmente viver a promessa dos meus sonhos apaixonados.
Sim, foi secular o meu processo de elaboração - como em toda a minha complexa existência – mas foi vivido! Meus fantasmas vieram na noite de ontem me dar seu ultimo adeus, acordei ainda assustada, mas aliviada com a descoberta que o sonho me trouxe.
E, sim, porque ninguém poderá tirar de mim a minha história, porque eu tentei tantas vezes quanto achei necessário, enquanto havia coração, e porque eu achei, novamente, o meu pulsar nesta caminhada.
 Adieu Monsieur.